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Lixo ameaça o Paranoá

 

Detritos trazidos pelos afluentes e pela água da chuva não são retidos

 

Fonte - Jornal de Brasília


O Lago Paranoá tem recebido até cem mil toneladas de lixo por ano, segundo dados do próprio Serviço de Limpeza Urbana (SLU). Quantidade suficiente para deixar em alerta os ambientalistas, uma vez que tantos detritos têm sido a principal causa do assoreamento (redução do espelho d´água) de um dos principais cartões-postais da cidade. O pior: não existe um órgão fiscalizador permanente do governo local que assegure a sobrevivência do lago.

O setor de Fiscalização do Instituto do Meio Ambiente e dos Recursos Hídricos do Distrito Federal (Ibram) age apenas quando recebe denúncias de que empresas ou pessoas estão lançando lixo no lago, para que assim possam fazer um flagrante. Este ano, nenhuma empresa foi multada.

Em situações em que o lixo já tenha sido jogado no Lago Paranoá, sem flagrante, cabe ao SLU fazer a vistoria e levantar os responsáveis por tal ação. Mas há três anos não existe mais fiscalização por parte do órgão.

Para atenuar o problema da poluição do Lago Paranoá, a Secretaria de Obras está com um projeto em licitação, com previsão para ser implementado no próximo ano, que fará a retenção da água das chuvas em reservatórios, onde o lixo sólido (garrafas, sacos plásticos, latas e outros) será retido e a água filtrada para melhorar a vida do lago.

A Agência Reguladora de Águas (Adasa) informa que toda água de chuvas leva poluição para o lago. Isso acontece porque a população joga lixo no chão, que posteriormente é "carregado" para o lago, e por isso, as pessoas precisam se conscientizar e entender que o processo de limpeza começa com a consciência de cada um. Uma campanha já está sendo veiculada, para que as pessoas entendam que não se deve jogar nada fora do lixo.

ACÚMULO

Um dos maiores problemas do lago é o assoreamento, processo de carreamento de resíduos de toda espécie, e o acúmulo de entulho no fundo do lago. Outro problema são as substâncias que se acumularam ao longo do tempo. A Caesb é a responsável por um programa pioneiro, Programa de Despoluição da Água, que visa manter a qualidade da água do Lago Paranoá.

Fernando Starling, chefe da Unidade de Informação e Monitoramento de Recursos Hídricos da Caesb, explica que todo lago urbano tropical é mais propicio a poluição e, por isso, é um grande desafio manter o Paranoá limpo.

O programa começou em 1995 e foram construídas duas novas estações para tratar o esgoto. Foram gastos mais de U$ 500 milhões para despoluir o lago, que hoje é apto para ser utilizado pela população e possui mais de 90% da água limpa. Fernando afirma que manter a água do Lago Paranoá limpa tem uma importância enorme para a sociedade, não só pela parte estética, mas também pelo uso múltiplo que ele traz, como pesca, mergulho, lazer e outros. "Lixo atrapalha não só a saúde de quem utiliza o lago, mas também quem prática esportes e usa o lago como fonte de diversão e renda", diz Starling.

USUÁRIOS

O pescador Jair Nascimento, 26 anos, pesca no Lago Paranoá e conta que já tirou muito lixo como latas, garrafas, sacolas plásticas e resto de material de pesca. "No final de semana é pior, pois o pessoal que anda de lancha come e joga o resto dos alimentos e embalagens na água".

No período de férias, a busca pela diversão no lago cresce, mas em algumas áreas o lixo incomoda os banhistas. É o caso da estudante de Direito Natila Mesquita, 23 anos, que apesar de frequentar o lago, admite ver muito lixo nas margens. "Além de latas de cerveja, nessa época do ano também tem as oferendas, que sujam muito o lago", afirma.