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04/01/2010
Brasileiros no pódio do Mundial de Pesca
Pescadores brasileiros ganham posição de destaque numa das mais importantes competições mundiais de pesca oceânica, o IGFA Offshore World Championship Tournament.
Figura 1. Pescadores Jose Espinhosa, comandante Marco Ribas, Vicente Arruda e Chris Badsey da Tarpon .
A equipe Tarpon, do Iate Clube de Rio de Janeiro, fisgou o terceiro lugar, com 2700 pontos acumulados com a liberação de nove striped marlins. Comandada por Marco Ribas, contava com os pescadores Chris Badsey, Vicente Arruda e Jose Espinoza.
O torneio, patrocinado pela IGFA (International Game Fish Association) aconteceu em Cabo San Lucas, no México, de 8 a 13 de novembro. No local, considerado a meca mundial da pesca esportiva, reúnem-se todo o ano representantes de 61 países.
Figura 2. Paisagem no Cabo de San Lucas, Mexico
As equipes participantes são as campeãs em diversos torneios de seus países de origem. O torneio acontece em maio, mas este ano, devido à gripe suína, foi adiado para novembro. A expectativa foi grande, mas a espera valeu.
O segundo lugar foi conquistado pela equipe da Guatemala (campeã do Torneio Presidential Challenge of Guatemala) que acumulou 3000 pontos com a liberação de 10 striped marlins. A grande campeã foi a equipe mexicana Get Over It (campeã do torneio World Championship Billfish Release Tournament) que acumulou 4200 pontos com a liberação de 13 striped marlins e três sailfishes. A equipe Tarpon liderou o torneio nos seus três primeiros dias perdendo apenas no quarto dia a primeira posição para a equipe mexicana cuja experiência na pesca local foi fundamental para a grande conquista. Os brasileiros que estavam na segunda posição, acabaram perdendo o vice-campeonato para o time da Guatemala que conseguiu ao final do dia liberar o seu décimo peixe de bico.
Este ano o Brasil foi representado por quatro equipes: Flying Fish (campeã do Torneio de Pesca Open - ICRJ), comandada por Fernando Garcia; Picante (campeã do XII Torneio de Marlin Azul - ICRJ), comandada por Alcebíades Garcia; e Jenny (campeã do Torneio de Pesca Costeira - ICRJ), comandada por Evandro Soares.
Figura 3. Equipes Tarpon e Flying Fish.
Conheça as regras do Mundial
Segundo Ribas, o Torneio Mundial de Pesca Oceânica tem algumas características diferentes da pesca feita no Brasil. Os participantes do campeonato não usam isca natural morta, ou artificial. A pesca é realizada com isca-viva (cavalinha ou xerelete) e, para dificultar mais ainda a vida dos competidores, o barco sai do cais com apenas 10 iscas vivas no viveiro.
Figura 4. Striped marlin fisgado.
Figura 5. Striped marlin liberado.
A equipe, após o inicio do torneio, pode pescar mais iscas, sem limite. Ribas explica que esta tarefa de pescar iscas adicionais acaba sendo até mais difícil que pescar o verdadeiro peixe do torneio, o striped marlin. “A equipe pode levar iscas mortas, sem limites, e até pescar com iscas artificiais mas, nada se compara com a eficiência da pesca com a isca viva”, acrescenta o comandante. Na realidade, a modalidade de pesca praticada exige muita habilidade, pois o “captain” do barco, utilizando binóculos, localiza o peixe, acelera o barco até a proximidade do peixe, para que o pescador possa arremessar a isca viva bem próxima ao peixe, pata fisgá-lo. “Às vezes funciona mas, na maioria das tentativas, o peixe se assusta com a aproximação do barco e afunda, e aí recomeça uma nova empreitada”, comenta Ribas. “Agora, se você conseguiu fazer o peixe comer mas ele roubou a isca, tudo fica muito mais difícil pois, restam apenas nove iscas vivas no viveiro”, complementa o pescador.
Os barcos são fornecidos pelo torneio, e os pescadores sorteiam em que barco vão sair, na véspera de cada saída, nos quatro dias do torneio. O anzol circular, circle hook, como acontece praticamente, em todos os torneios de liberação de peixes de bico, é de uso obrigatório tanto no torneio mundial, como em todos os torneios classificatórios para a mundial. A linha obrigatória é MOMOI 30 libras. Segundo Ribas, essa linha é mais resistente, permitindo a liberação mais rápida, e reduzindo drasticamente o esforço e o estresse causado no peixe durante a luta. “As linha de baixa resistência podem matar lentamente o peixe durante a briga”, explica o comandante.
Cabo de San Lucas, a Meca da pesca oceânica
Segundo o pescador Gustavo Santos, que participou do torneio na equipe Jenny (pescadores Nilo Cottini, Walter Muller Filho), um dos atrativos do local é a curta distância para alcançar o mar azul. “Você começa a pescar a cerca de seis milhas, pois a plataforma é muito próxima da costa, e água azul fica encostada ao continente, dá para ver a praia e os hotéis”, explica o pescador.
Figura 6. Pescador Gustavo registra a saída das lanchas
Outro atrativo é o mar calmo, especialmente no Mar de Cortez, pois tem a proteção do continente. Na parte do Pacífico há mais vento. Além do striped marlin, são encontrados o marlim-azul, negro, sailfish, atum, dourado, e vários outros peixes de oceano. A pesca é muito boa o ano inteiro, porém as melhores épocas para os peixes de bico são outubro e novembro. Além da pesca oceânica, Los Cabos é um destino muito procurado pelos amantes da pesca e do golfe. Localizado no extremo sul da Baja California, possui hotéis luxuosos, e praias de areia branca.
As fotos foram gentilmente cedidas pelos pescadores.
Apoio: Instituto Pesca, Iate Clube da Barra do Una, Iate Clube de Santos, Yacht Club de Ilhabela, Iate Clube do Rio de Janeiro, Costa Azul iate Clube, Prefeitura Municipal de Cabo Frio, Vivamar, NUPEC e Museu do Mar.
Alberto de Ferreira Amorim é engenheiro agrônomo, doutor em Ciências Biológicas na área de zoologia, Pesquisador do Instituto de Pesca em Santos-SP e conselheiro da SBEEL.
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