Pescadores oceânicos saem ao mar munidos de carretilhas, anzóis, varas e tags, num torneio que apóia projeto de pesquisa para conhecer e conservar os peixes de bico. Os tags são marcas numeradas feitas em hydron, um tipo de náilon biocompatível, colocadas nos dorsos de sailfishes, marlins-azuis e brancos antes de serem devolvidos ao mar. Numa ficha à parte são anotados o tamanho estimado do peixe, espécie, local da soltura. Se reencontrados, será possível saber para onde o peixe se deslocou e quanto cresceu no período. As informações são enviadas para o Instituto de Pesca (IP), em Santos, e TBF (The Billfish Foundation), na Flórida, Estados Unidos.
Figura 1. Lancha Attack do comandante Arthur Santos Neto.
Figura 2. Marca de hydron “The Billfish Foundation”.
Através do “Projeto Marlim” em parceria com a Prefeitura de Cabo Frio, um marlim-branco liberado por Luís de Moraes em Ilhabela em 1994 foi reencontrado frente à Santa Catarina, após três anos, pela pesca atuneira. A mais longa migração foi do swordfish marcado em 1982, pelo pescador Hisami Funatsu, capitão do barco Imaipesca, a 150 milhas de Florianópolis, e encontrado em águas internacionais da Argentina, por um pescador uruguaio em 1993. Depois de passar 4.102 dias, ou 11 anos e três meses, o swordfish de 70 cm, e 14 kg, com cerca de 1,5 ano, ao ser encontrado pesava 175 kg e media 2,20 metros.
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O coordenador do projeto no Brasil, professor Alberto Amorim, acompanha os estudos e na próxima etapa do torneio, 12 de dezembro, pretende colocar duas marcas eletrônicas, tipo pop-up, que se desprendem do peixe depois de três meses e transmitem via satélite dados de trajeto feito pelo peixe e temperatura da água, entre outros. Essa pesquisa faz parte do doutorado de Bruno Mourato da Universidade Federal de Pernambuco, orientado pelo professor Fabio Hazin.
Figura 3. Marcas eletrônicas tipo pop-up.
O XVIII Torneio de Pesca Oceânica tem outras características inéditas. Realizado pelo Iate Clube de Barra do Una (ICBU), conta este ano com o apoio do Yacht Club de Ilhabela (YCI) e Iate Clube de Santos (ICS). Pela primeira vez os três clubes se unem para a realização do evento. Paulo Mangabeira, diretor de Pesca do ICBU explica que a ideia tomou corpo quando pescadores de pesca oceânica se encontraram, entre eles, além de Mangabeira, David Alhadeff (diretor de pesca do ICS), Artur e Gustavo Santos (YCI e ICS). Mais de 60 pescadores, em 18 lanchas, saem do píer do YCI e ICBU, ainda de madrugada, navegando cerca de três horas, para lançar linhas n´água às 7h. Às 17h a pesca é finalizada, e os resultados são reportados para a sala rádio dos clubes. Os peixes de bico, sailfish, marlim-branco e azul, podem ser liberados, ou embarcados acima de tamanhos mínimos de 25 kg, 30 kg e 150 kg, respectivamente. O marlim-azul, o maior deles, pode chegar a mais de 636 kg, que é o recorde internacional conquistado em Vitória, Espírito Santo, em 1992, pelo pescador brasileiro, já falecido, Paulo Amorim.
Na segunda etapa do torneio, dia 21 de novembro, cinco peixes de bico foram devolvidos ao mar com a pequena marca. Fernando Fabrini, da lancha Perversa, Júlio Cardoso, da Top Cat/Kavala, Allan Mangels, da Muchacha, Patrick Machado, da Summer liberaram sailfishes. Rodrigo Carrano, da Pescane, devolveu ao mar um marlim-branco. Outros peixes oceânicos, como dourados, atuns e cavalas, podiam ser embarcados e pesados, num máximo de dez exemplares por espécie. No resultado da etapa, a lancha Perversa, do comandante Caetano Fabrini ficou em primeiro lugar, com um sailfish marcado e liberado, dez dourados embarcados, o maior com 18 kg, dois atuns amarelos e dois bonitos. Na primeira etapa a equipe também pegou um dourado de 18 kg, sendo o peixe embarcado mais pesado do torneio.
Figura 4. Equipe da Perversa do comandante Caetano Fabrini.
Figura 5. Sailfish a ser marcado e liberado pela Perversa.
Figura 6. Sailfish com a marca.
Figura 7. Sailfish preparado para a liberação.
Em segundo veio a Pescecane, de José Magalhães, com um marlim-branco marcado e liberado. Em terceiro a Top Cat/Kavala, de Júlio Cardoso, com os pescadores David e Rodrigo Alhadeff, com um sailfish marcado e liberado, e três dourados.
Figura 8. Top Cat do comandante Julio Cardoso.
Na classificação geral, os três primeiros lugares permanecem os mesmos. A decisão será feita após as duas próximas etapas, dias 12 de dezembro e 9 de janeiro.
As fotos em alto mar foram gentilmente cedidas pelos comandantes das embarcações.
O XVIII Torneio de Pesca Oceânica tem o patrocínio de Sedna Sport Fishing Boats, Pesca Pinheiros e Miolo Wine Group.
Figura 9. Wahoo do comandante Paulo Mangabeira da Dolce Vita.
Figura 10. Felipe Carrano da Vojuca I.
Figura 11. Vojuca II, Marcelo Ackel, Otavio Campos Sales, Thiago Carrano e Fernando Pessoa.
Figura 12. Equipe da Bering Sea do comandante Robert Kover a esquerda.
Figura 13. Equipe da lancha Attack.
Figura 14. Pescador João Arthur da Attack.
Figura 15. Comandante Julio Cardoso da Top Cat com um bonito-de-barriga-listrada.
Figura 16. Dourado da lancha Top Cat do Comandante Julio Cardoso.
Alberto de Ferreira Amorim é engenheiro agrônomo, doutor em Ciências Biológicas na área de zoologia, Pesquisador do Instituto de Pesca em Santos-SP e conselheiro da SBEEL.
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