ALBERTO AMORIM

Alberto Amorim 28/08/2009
Gigantes gentis

O maior peixe do mundo, apesar de ser um tubarão, não é um voraz carnívoro. Seu principal alimento é o zooplâncton, composto em parte por cardumes de pequenos peixes, camarões e lulas. O tubarão-baleia, Rhincodon typus, que habita oceanos tropicais e subtropicais, é um belo e dócil animal, o que estimula os mergulhadores a se aproximarem e nadarem a seu lado. Como outras espécies de tubarões, tem crescimento lento, demorando a atingir a maturidade. Embora protegidos por lei em diversas partes do mundo, ainda são capturados em alguns países como Taiwan e Filipinas.

Foto: Bruno Macena
Figura 1. Tubarão-baleia recebeu marca eletrônica

Na rota do tubarão-baleia
Marcas eletrônicas colocadas em tubarões, no Arquipélago São Pedro e São Paulo, a 627 km de Pernambuco, auxiliam estudos de crescimento e migrações destes peixes

Um dos mais isolados grupos de ilhas no mundo, o Arquipélago de São Pedro e São Paulo, entre os continentes americano e africano, é um importante ponto de concentração de diversas espécies migratórias, entre elas o tubarão-baleia. Ali, o biólogo Bruno Macena, especialista em oceanografia, viveu a emocionante aventura de mergulhar próximo a dois exemplares dessa espécie para colocação de marcas eletrônicas, na Estação Científica do arquipélago.

Foto: SECIRM
Figura 2. Vista do Arquipélago de São Pedro e São Paulo


Figura 3. Biólogo Bruno Macena

Foto: Bruno Macena
Figura 4. Estação Científica do Arquipélago

Os estudos fazem parte de sua tese de mestrado desenvolvido no Departamento de Pesca e Aquicultura da Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE). “A presença desses animais ao redor do arquipélago pode estar associada à grande abundância de ovos e larvas de peixes-voadores, e o uso do local como área de repouso durante a rota migratória no Atlântico”, explica o biólogo. Sua curiosidade com essa espécie começou ainda durante o curso de biologia, quando fez estudos de sua ocorrência, sazonalidade e distribuição. Desde o início de seu trabalho, em 2004 fez 113 avistagens. Na mais longa, o tubarão-baleia permaneceu seis horas ao lado do barco. “Os tubarões-baleia são avistados de duas maneiras: por tempo de mergulho, quando ficamos na água observando a movimentação subaquática, ou quando bóiam próximo aos pesqueiros”, explica o biólogo.

Foto: Bruno Macena
Figura 5. Avistagem de tubarão-baleia por barcos pesqueiros

No dia da primeira marcação, 23 de maio, o tubarão foi avistado por pescadores na área oeste do arquipélago, a 300 metros da Ilha Belmonte, onde fica a estação científica do arquipélago. Macena, que estava na estação, foi avisado via rádio e se dirigiu ao local, com a estagiária do projeto, Rafaela Ribeiro. Mergulhando no local, marcaram um tubarão macho de cerca de 5 metros de comprimento. Com a ajuda de uma vara especial foi colocado um transmissor Splash, que envia um sinal com a posição e os dados de temperatura e pressão sempre que o animal alcança a superfície, programado para se soltar automaticamente em 254 dias. “O dia era de sol e mar calmo, o que tornou um pouco mais fácil o trabalho da marcação, que levou cerca de 10 minutos, com o tubarão permanecendo ao redor da embarcação por mais de uma hora”, lembra-se Macena.

Foto: Bruno Macena
Figura 6. Apoio do Transmar II na avistagem de tubarão-baleia

Foto: Liliam Samber
Figura 7. Rafaela e Bruno se preparam para o mergulho

“No dia 19 de junho, apesar do sol, o mar estava agitado, com vento e corrente marinha muito fortes”, explica Macena. A marca foi colocada em apenas 15 minutos, mas devido às más condições do mar, foi difícil acompanhar o tubarão-baleia, apesar de seu nado lento. O peixe, uma fêmea adulta, com cerca de 8,50 metros, recebeu um transmissor PSAT. Esse tipo de marca envia os dados apenas quando se desprende do animal em um período pré-programado, neste caso 96 dias. Também foi colocado um transmissor acústico V16, que envia um sinal a um receptor, estrategicamente localizado, acusando a presença do animal.

Foto: Felipe Gaspar
Figura 8. Bruno e Emerson preparam o transmissor acústico

Foto: Rafaela Ribeiro
Figura 9. Medindo o tubarão-baleia

Foto: Bruno Macena
Figura 10. Saída para a segunda marcação eletrônica

Foto: Rafaela Ribeiro
Figura 11. Encontro de tubarão-baleia

Foto: Liliam Samber
Figura 12. Bruno marcando o tubarão-baleia

Foto: Bruno Macena
Figura 13. Colocação da marca PSAT

Foto: Bruno Macena
Figura 14. Tubarão-baleia com a marca PSAT

Foto: Bruno Macena
Figura 15. Transmissor acústico pronto para colocação no tubarão-baleia

Macena explica que as marcações estão de acordo com as normas do Ibama. “Os tubarões-baleia não esboçaram nenhuma reação no momento da marcação, tanto que permaneceram nadando próximo ao barco permitindo que fizéssemos fotos e vídeos”, acrescenta. A pesquisa é feita com os equipamentos fornecidos pela Fundação Boticário de Proteção à Natureza, Save Our Seas Foundation e CNPq, com o apoio logístico pela Secretaria da Comissão Interministerial para os Recursos do Mar (SECIRM)- Marinha do Brasil.

Com os dados obtidos com as marcas eletrônicas, Macena pretende identificar as rotas migratórias e as áreas de concentração do tubarão-baleia no entorno do arquipélago. Após o término do mestrado, o biólogo quer continuar os estudos dessa espécie em seu doutorado, contribuindo para a conservação desses maravilhosos animais marinhos.

As fotos e vídeos foram gentilmente cedidos por Bruno Macena, Rafaela Ribeiro, Felipe Gaspar, Liliam Samber e SECIRM, Marinha do Brasil.

Saiba mais sobre Bruno Macena
O biólogo Bruno Macena, desenvolve seu mestrado no programa de Recursos Pesqueiros e Aqüicultura da Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE), sob a orientação do Prof. Dr. Fabio Hissa Vieira Hazin. É coordenador executivo dos Projetos Tubarão Baleia e Ethopelagos, e colaborador em outros projetos que utilizam telemetria no Laboratório de Oceanografia Pesqueira (LOP), do Departamento de Pesca e Aqüicultura (DEPAq) da UFRPE. Colaboram também no projeto, tripulantes dos barcos de apoio do PROARQUIPÉLAGO e pescadores que desenvolvem suas atividades no local.

Clique aqui para ver o vídeo.

Foto: Bruno Macena
Figura 16. Vista da Estação Científica

Foto: Bruno Macena
Figura 17. Vista do Arquipélago São Pedro e São Paulo

Foto: SECIRM
Figura 18. Avistagem de tubarão-baleia

Foto: Bruno Macena
Figura 19. Avistagem de tubarão-baleia

Foto: Bruno Macena
Figura 20. Pescadores que colaboraram na avistagem e marcação

Foto: Bruno Macena
Figura 21. Raia jamanta com duas rêmoras

Foto: Felipe Gaspar
Figura 22. Transmissor acústico

Foto: Liliam Samber
Figura 23. Atobás

Foto: Bruno Macena
Figura 24. Por do sol no arquipélago

Apoio: Instituto Pesca, Iate Clube do Rio de Janeiro, Costa Azul Iate Clube, Iate Clube de Santos, Yacht Club de Ilhabela, Iate Clube da Barra do Una, Nupec, Vivamar, Museu do Mar, Iate Clube do Espírito Santo, The Billfish Foundation, World Championship Billfish Release Tournament e Fundamar.

Alberto de Ferreira Amorim é engenheiro agrônomo, doutor em Ciências Biológicas na área de zoologia, Pesquisador do Instituto de Pesca em Santos-SP e conselheiro da SBEEL.


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