ALBERTO AMORIM

Alberto Amorim 19/01/2009
Torneio marca peixes para cientistas

Colocando uma pequena marca numerada e devolvendo três espécies de peixes de bico ao mar, pescadores ajudam cientistas a descobrir para onde migram estes animais. O XVII Torneio de Pesca Oceânica, na modalidade de tag e release (marque e solte), foi realizado de 14 de dezembro a 10 de janeiro, pelo Iate Clube de Barra do Uma (ICBU), em São Sebastião, no litoral norte de São Paulo. Cada marlim-azul liberado valia 900 pontos, o marlim-branco 450 e o sailfish 225. As marcas foram enviadas pela TBF (The Billfish Foundation), entidade americana dedicada ao estudo e conservação dos peixes de bico, que trabalha em cooperação com o Instituto de Pesca de Santos. Os peixes oceânicos, como atuns, dourados e wahoos, podiam ser embarcados.

A Orient Express foi campeã pelo segundo ano consecutivo, liberando e marcando dois marlins-azuis, medindo mais de dois metros, um marlim-branco e dois sailfishes (o maior com cerca de dois metros). A equipe era formada pelo comandante Eduardo Wanick e os pescadores Ismael Teixeira da Silveira, Francisco Edson Sá. Foram embarcados um wahoo (6,4 kg) um atum-amarelo, um bonito-oceânico e dois dourados.


Figura 1. Marlim-azul sendo trazido próximo à borda pela Orient Express


Figura 2. Marlim-azul sendo marcado pela equipe da Orient Express

A Dolce Vita do comandante Paulo Mangabeira Albernaz, e pescadores José Alberto de Salles Gomes (Zé Mandabala), Edson Junji Torihara e James da Silva, pegou o segundo lugar. O pescador José Alberto conta que com a experiência de vários torneios de pesque & solte do ICBU, a liberação é feita de maneira mais rápida. “Consegui liberar o sailfish muito mais rápido com a utilização de carretilhas menores, com menos capacidade de linha, freios mais potentes, linhas multifilamento de alta resistência com bitolas reduzidas”, explica. “O peixe capturado e liberado em menor tempo, tem melhores condições de vida.”, conclui. A prova disso é que a equipe não conseguiu tirar a tradicional foto do peixe levantado (por três pessoas!), porque ele simplesmente derrubou um pescador no chão, outro quase caiu ao mar, e acabou liberado sem a foto.


Figura 3. Zé Mandabala e Guto da Dolce Vita liberam o sailfish


Figura 4. Sailfish tageado na Dolce Vita


Figura 5. Guto, Zé Mandabala e Edson Torihara (esquerda para direita) da Dolce Vita


Figura 6. James, Paulo Mangabeira e Zé Mandabala (esquerda para direita) da Dolce Vita

Em terceiro com 1.030,7 pontos ficou a Lufa do comandante Aluísio Quintanilha de Barros e pescadores Aladino Selmi, Fernando Raduan, Luiz Felipe Barros, Roberto Abrão Raduan e marinheiros Tiago e Juliano. A equipe liberou e tagueou um marlim-branco e um sailfish. Foram capturados quatro atuns, dois bonitos, e cinco dourados, o maior com 15 kg.
A Summer I, do comodoro do ICBU, Emir Nicolau Capez ficou em 4º lugar. Faziam parte da equipe Eduardo Nardi Capez, Miqueias de Souza e Ronaldo Trindade. A equipe marcou dois sailfishes e embarcou 10 dourados. Fato eventualmente "pitoresco" foi um marlim-azul, já fisgado, que após alguns minutos de luta abriu um anzol 10/0 e saiu em liberdade.


Figura 7. Equipe da Summer I com o maior dourado pego em pescarias anteriores

As fichas com a data da liberação e dados sobre os peixes marcados (tagueados) e liberados, ficam nos arquivos da TBF, parceira do Instituto de Pesca e em caso de recaptura é possível traçar o caminho percorrido por estes animais. Como o tamanho do peixe também é estimado e anotado é possível saber o quanto o peixe cresceu no período.

Um sailfish de 22 kg e 120 cm, marcado e liberado por Carloman Maia (Iate Clube do Rio de Janeiro) frente ao Rio de Janeiro em 19 de dezembro de 1996 foi encontrado a 120 milhas da Barra de Santos pelo Benedito Martins pescador de atuneiro Água Viva, da Ita Fish, em 16 de fevereiro de 1997. A mais longa migração foi do swordfish marcado em 23 de julho de 1982, pelo pescador Hisami Funatsu, capitão do Imaipesca, 150 milhas de Florianópolis e encontrado em águas internacionais da Argentina, por um pescador Uruguaio em 15 de outubro de 1993. Depois de passar 4.102 dias, ou 11 anos e três meses, o swordfish de 70 cm, e 14 kg, tinha cerca de 1,5 ano, quando encontrado estava pesando 175 kg e medindo 220 cm.

Apoio: Instituto Pesca, Iate Clube do Rio de Janeiro, Costa Azul iate Clube, Iate Clube de Santos, Yacht Club de Ilhabela, Iate Clube da Barra do Una, NUPEC, Vivamar, Museu do Mar, Prefeitura Municipal de Cabo Frio, The Billfish Foundation

Alberto de Ferreira Amorim é engenheiro agrônomo, doutor em Ciências Biológicas na área de zoologia, Pesquisador do Instituto de Pesca em Santos-SP e conselheiro da SBEEL.


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