ALBERTO AMORIM

Alberto Amorim 01/12/2008
Tubarões pedem socorro

Vilões nas telas de cinema e apreciados na culinária com o nome de cações, os tubarões estão em acentuado declínio. A conclusão é de cientistas reunidos na VI Reunião da Sociedade Brasileira para o Estudo de Elasmobrânquios (Sbeel), de 22 a 26 de novembro em Fortaleza, Ceará.


Figura 1. Participantes do VI Reunião da Sbeel

Varias espécies de raias, que também pertencem ao grupo dos elasmobrânquios, animais cartilaginosos, também mostram diminuição nas capturas. Tubarões e raias têm crescimento lento, maturação tardia e deixam poucos descendentes, o que os torna vulneráveis às capturas.
Segundo o professor Carolus Maria Vooren, da Universidade Federal do Rio Grande (FURG), algumas espécies, como o cação-anjo, Squatina guggenheim, em 1991 já apresentavam um declínio de 86% de seu nível natural. Agora ele está entre as cinco espécies consideradas ameaçadas de extinção, como a raia-viola, Rhinobatos horkellii, cação-anjo, Squatina occulta, cação-bico-doce, Galeorhinus galeus e cação-cola-fina, Mustelus schmitti (leia a matéria Cientistas brasileiros declaram quatro espécies de tubarões e raias ameaçadas de extinção). Na lista dos vulneráveis, estão o cação-listrado, Mustelus fasciatus, cação-mangona, Carcharias taurus e os cações-martelo, Sphyrna lewini e Sphyrna zygaena. Segundo a Instrução Normativa no 5, de maio de 2004, do Ministério do Meio Ambiente, as cinco espécies ameaçadas de extinção têm sua captura proibida.


Figura 2. O biólogo Ricardo Rosa falou na abertura

Para o biólogo Ricardo de Souza Rosa, presidente da Sbeel (biênio 2006-2008), uma das soluções está numa eficiente gestão pesqueira. "São necessários planos de ação para regulamentar as pescarias", acrescenta. A Sbeel preparou um plano de manejo, que começou a ser discutido com o Ibama, para a montagem do Plano de Gestão das oito espécies de elasmobrânquios constantes da IN no 5/ 2004 MMA, anexo 2. A discussão inicial foi feita durante o encontro, com Hiram Pereira, analista ambiental da coordenação de licenciamento e uso sustentável de fauna e recurso pesqueiro do Ibama. Várias medidas foram discutidas, como criação de áreas de exclusão, redução gradual no esforço de pesca, paradas sazonais e educação ambiental. Confirmando a importância da conscientização, o evento promoveu a I Feira de Educação Ambiental, com o apoio institucional do Centro Dragão do Mar de Arte e Cultura e do Instituto de Arte e Cultura do Ceará, e do Instituto do Mar Adentro. Alguns cientistas já iniciaram trabalhos em comunidades de pescadores, com o objetivo de conscientizá-los na conservação dos recursos. A oceanógrafa Rosângela Lessa desenvolve projeto na cidade de Caiçara do Norte, no Rio Grande do Norte, com a maior comunidade de pescadores artesanais do Estado. A área é considerada berçário para 12 espécies de elasmobrânquios. Maurício de Almeida estudou a captura de diferentes espécies de raias de água doce na Ilha do Marajó, no Pará, e detectou a necessidade de controle da pesca, e ações de educação ambiental, principalmente para evitar acidentes com esses animais, muito comuns na região.


Figura 3. Sócios fundadores da Sbeel presentes ao encontro

O evento reuniu estudantes e profissionais da área que apresentaram cerca de 100 trabalhos sobre tubarões e raias. Cientistas de diversas partes do Brasil e também do exterior estiveram presentes. Entre os estrangeiros, compareceram George Burgess e Rui Coelho, ambos do Museu de História Natural da Flórida.


Figura 4. George Burgess do Museu de História Natural da Flórida


Figura 5. Rui Coelho do Museu de História Natural da Flórida

Ao final do encontro o biólogo Manoel Mateus Gonzalez foi eleito o novo presidente da Sbeel para o biênio 2008-2009. O cientista, além de pesquisa em elasmobrânquios desenvolve trabalhos em arqueologia na Baixada Santista. Em Santos preside o Núcleo de Pesquisa e Estudos em Chondrichthyes (Nupec).


Figura 6. Manoel Gonzalez atual presidente da Sbeel

A VI Reunião da Sbeel teve o patrocínio do CNPq, Instituto Soto Delatorre, Seap, Capes, Funcap e apoio do Governo Estadual do Ceará, Centro Dragão do Mar, Aoceano, Labomar e Universidade Federal do Ceará, entre outros.

Apoio: Instituto Pesca; Sbeel; Nupec; Iate Clube do Rio de Janeiro; Costa Azul Iate Clube; Prefeitura Municipal de Cabo Frio; Iate Clube da Barra do Una; Iate Clube de Santos; Yacht Club de Ilhabela; Iate Clube do Espírito Santo; Vivamar; The Billfish Foundation; e Museu do Mar.

Fotos: Christina Amorim

Alberto de Ferreira Amorim é engenheiro agrônomo, doutor em Ciências Biológicas na área de zoologia, Pesquisador do Instituto de Pesca em Santos-SP e conselheiro da SBEEL.


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