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09/10/2008
Cara a cara com o grande branco
Prenda a respiração, mergulhe e abra os olhos. Na sua frente, um tubarão-branco de quase 4 metros desfila, majestoso. “Uma sensação surpreendente e maravilhosa”, define a bióloga Patrícia Mancini. Cada mergulho, dentro de uma gaiola de metal, dura 15 minutos, “mas se deixassem eu ficaria o dia inteiro mergulhando com os tubarões”, acrescenta a bióloga.
 | | Patrícia Mancini (à esquerda) prepara-se para o mergulho | A experiência, um sonho acalentado há mais de dez anos, se tornou realidade durante uma viagem à cidade do Cabo, na África do Sul, em agosto deste ano, para participar da IV Conferência Internacional de Albatrozes e Petréis. A ironia é que Patrícia, que tem mestrado em tubarão-raposa pela Unesp (Rio Claro, SP), passou cerca de quatro anos estudando tubarões, e a oportunidade de conhecer a África do Sul, local de alta ocorrência do tubarão-branco, surgiu ao ingressar no Projeto Albatroz, que tem o patrocínio do Programa Petrobras Ambiental. A aventura começa com uma viagem de duas horas até a região de Gansbaai. “Não é necessário experiência de mergulho”, explica Patrícia. A gaiola fica presa ao lado da lancha, com a parte de cima para fora da água. “Basta apenas prender a respiração e mergulhar para ver o majestoso animal bem de pertinho”.
 | | Gaiola fica ao lado do barco | Os tubarões-brancos são atraídos para perto com pedaços de atum e engodo, que é uma mistura de restos de peixe e sangue. A bordo da lancha estão cinco membros da tripulação e dois instrutores que falam sobre biologia e conservação dos tubarões. Na gaiola cabem seis pessoas que ficam cerca de 15 minutos mergulhando e depois sobem para o barco, revezando com outro grupo.
Patrícia, entusiasmada com a aventura, fez três mergulhos, só parando devido à cãibra nas duas pernas. Para a bióloga, essa foi a parte mais emocionante, pois enquanto os instrutores a levantaram da gaiola pelos braços, um grande tubarão-branco passou a cerca de um metro. “Nesse momento me recordei que esses peixes costumam saltar para fora da água, especialmente naquela região, para apanhar sua presa favorita, a foca. “Agora, imagine, eu, com toda aquela roupa de neoprene preta, apertada, estava me sentindo uma perfeita foca, minha única esperança era que o tubarão não pensasse o mesmo!”, conta Patrícia.
 | | Tubarão-branco visto da gaiola | Ao final, a cãibra passou e a bióloga voltou segura a bordo da lancha, num passeio de quatro horas, iniciado às 8h30 da manhã. Os mergulhos ocorrem somente no período da manhã, para não perturbar os peixes. No mês de agosto deste ano, uma passagem para a cidade do Cabo, na África do Sul, custava R$ 2.680,00, com passagens de ida e volta e hospedagem de seis dias. O mergulho custa cerca de R$ 250,00 (equivale a 1.250 rands, moeda local), no qual estão inclusos o translado do hotel até a região de Gansbaai (duas horas da cidade do Cabo), café da manhã, roupa completa de mergulho e lanche a bordo.
“Essa é um experiência que os apreciadores dos mares e especialmente dos tubarões, não podem deixar de fazer”, afirma. A época para viajar é muito importante, pois a partir de novembro os tubarões-brancos não são tão comuns naquelas áreas. Há diversas agências que fazem esse mergulho – fornecendo inclusive equipamentos. Patrícia explica que aqueles que não gostam de entrar na água podem apreciar os tubarões na superfície, quando dão alguns pequenos saltos para fora da água. “Definitivamente, uma experiência única!”, conclui a bióloga, que é aficionada pelos tubarões.
Saiba mais sobre a ocorrência de tubarão-branco no Brasil
O tubarão-branco é muito raro no Brasil, com registro de cerca de 25 ocorrências. A primeira se deu no mercado da cidade do Rio de Janeiro em 1905. Outro importante registro se deu em 1968, através de foto feita em Angra do Reis, RJ. Na cidade de Cananéia, SP, foi capturado um exemplar medindo 5,30 m e pesando cerca de 2.500 kg em 8 de dezembro de 1992. Somente seu fígado pesou 674 kg, coração 3 kg, cabeça e pele 620 kg. Ele se encontra taxidermado no Museu de Cananéia. Esse espécime é maior que o recorde do Oceano Atlântico registrado em Montauk, Nova York, EUA em 1986 com 5,10 m.
Fotos cedidas gentilmente por Michel Donato Gianeti
Apoio: Instituto Pesca; Iate Clube de Santos; Yacht Club de Ilhabela; Iate Clube do Rio de Janeiro; Costa Azul Iate Clube; Iate Clube da Barra do Una; Iate Clube do Espírito Santo; VIVAMAR; Prefeitura Municipal de Cabo Frio; WCBRT; The Billfish Foundation; NUPEC; e Museu do Mar.
Alberto de Ferreira Amorim é engenheiro agrônomo, doutor em Ciências Biológicas na área de zoologia, Pesquisador do Instituto de Pesca em Santos-SP e conselheiro da SBEEL.
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