ALBERTO AMORIM

Alberto Amorim 05/06/2007
Brasileiros se destacam em Torneio Mundial da IGFA

Águas calmas e muitos peixes fizeram a alegria dos melhores pescadores oceânicos de mais de 30 países no torneio da IGFA no México.

Foto: Danny Mathews
Equipe brasileira no Cabo de San Lucas
As 69 melhores equipes do mundo em torneios de pesca offshore sancionados pela IGFA estiveram inscritas numa acirrada disputa em águas mexicanas de 20 a 25 de maio. O evento é a oitava edição do Annual IGFA Offshore Championship Tournament, em Cabo de São Lucas, com quatro etapas de 21 a 24 de maio. A equipe brasileira do ICRJ se destacou conquistando o quarto lugar e o vice-campeonato individual.

"Uma excelente oportunidade de troca de experiências e um estímulo a essa modalidade de esporte", definiu o pescador Mario Merçon, da equipe brasileira campeã no Cabo Frio Marlin Invitational, no Rio de Janeiro. "Pescar no Mar de Cortez foi uma experiência fantástica", acrescentou o pescador, se referindo à parte abrigada do Pacífico no Cabo de San Lucas, com 160 milhas de largura e 500 milhas de comprimento de águas calmas. "É uma verdadeira piscina, o ano inteiro", concluiu Merçon. O Mar de Cortez, ou golfo da Califórnia, é formadopela entrada do Oceano Pacífico numa espécie de corredor, com montanhas e canyons submersos, que produzem correntes ascendentes ricas em nutrientes, chamadas de ressurgência.


Cabo San Lucas e Mar de Cortez

Já na primeira saída do torneio, no dia 21, foi possível avaliar a abundância de peixes no local, com 94 marlins liberados pelos participantes, que chegariam a total de cerca de 300 ao final do quarto dia de pesca.

Foto: Danny Mathews/IGFAFoto: Mario Merçon
Saída das lanchasEquipe liberando um striped marlim

O resultado final deu o primeiro lugar a equipe da Marina Rubicon Marlin Cup 2006 (Espanha), com 15 marlins liberados, seguidas pela Copa del Gobernador San Jose del Cabo (México), com 14, Caicos Classic Release Tournament (Ilhas Turcas e Caicos no Caribe), com 12.

Foto: Mario Merçon
Equipe espanhola da Marina Rubicon Marlin Cup

Os brasileiros, campeões do Cabo Frio Marlin Invitational, também com 12 marlins, ficaram empatados em terceiro lugar com o mesmo número de peixes, e por apenas 17 segundos de diferença no horário de liberação passaram para o quarto lugar. A equipe, formada por Mario e Li Merçon, Fernando Garcia e Flavio Reis representou o Brasil e o Iate Clube do Rio de Janeiro (ICRJ).

Foto: Mario Merçon
Equipe brasileira sob o comando de Mario Merçon

Foram momentos de muita emoção, iniciados na primeira saída, dia 21, em que os brasileiros se classificaram em terceiro lugar, com cinco marlins. “Liberamos o mesmo número de peixes da segunda colocação, mas passamos para terceiro devido ao desempate por horário de liberação”, explicou Garcia, que além de pescador é o diretor de pesca do ICRJ. “Na terceira etapa conseguimos liberar quatro marlins, alcançando 3.000 pontos, empatando na classificação para o primeiro lugar, mas pulamos para segundo, devido também à contagem de horário”, acrescentou o pescador, definindo os momentos mais cruciais da disputa.

Foto: Mario Merçon
Equipe brasileira comemora o resultado

Os bons resultados da equipe, refletiram também os talentos individuais, que trouxeram uma atuação de destaque entre as 69 equipes inscritas. “Foi ótimo, pois todos nossos pescadores tiveram uma boa colocação, destacando-se o Flavio Reis, que ficou com o vice-campeonato do título individual para pescadores, com a mesma pontuação do campeão, título também decidido por horário de liberação”, concluiu Garcia.

Foto: Mario MerçonFoto: Mario Merçon
Flavio Reis foi pescador vice-campeão na categoria individualLi Merçon representando a mulher pescadora na equipe brasileira

O concorrido torneio começou com o sorteio de lanchas e capitães, na véspera do primeiro dia de pesca, havendo mudanças a cada etapa. A embarcações, com cerca de 30 pés, navegaram de 10 a 30 milhas de Cabo de San Lucas para chegar ao mar azul, pescando a maioria no calmo Mar de Cortez, fechado pelo Cabo de San Lucas, enquanto o lado não abrigado do Pacífico apresentava mais ventos. Cada peixe (marlim azul, negro, striped ou swordfish) liberado valia 300 pontos, atestados por um observador certificado, que ia a bordo das embarcações classificadas até o 15o lugar. As equipes também receberam pontuação por peso acima de 25 libras por atuns, cavalas e dourados. Os peixes embarcados foram doados a entidades assistenciais locais. As equipes podiam levar no máximo 20 iscas vivas, sendo obrigatório o uso de anzol circular, e linha Mormoi 30 libras tournament amarela. O peixe predominante nessa época do ano é o striped marlin, que varia de 50 a 100 kgs.

A forma de pesca foi considerada singular pelos brasileiros, bem diferente da pesca oceânica praticada no Brasil. “Navegávamos a 9 nós de velocidade, e apenas ao avistar os peixes pelas nadadeiras, jogávamos a isca viva”, explicou Merçon. A lancha se aproximava dos peixes, e o pescador jogava a isca, geralmente de chicharro ou cavalinha de cerca de 25 cm. “Quando os striped marlins, que ficam em grupos de até cinco peixes, não se interessavam pela isca, desistíamos e íamos em busca de outras áreas. Os capitães dos barcos explicavam que nesse caso, não adiantava insistir”, acrescentou Merçon.

Foto: Mario Merçon
Pescador Mario Merçon

Para os participantes, a boa impressão que Cabo de San Lucas deixa, além das águas piscosas e da beleza do local é a total segurança nas ruas, que estimula o crescimento do turismo.

Foto: Mario Merçon
Vista da costa do Cabo de San Lucas

Parte da abundância de peixes nas águas se deve à ausência de pesca comercial no local, e à prática do catch & release (pesca e solta), além do uso do anzol circular, que facilita a liberação do peixe em bom estado, garantindo sua sobrevivência. Esse clima garante pescaria quase o ano inteiro, exceto nos meses de agosto e setembro, que são épocas de mar revolto. Além da pescaria, o torneio proporcionou congraçamento dos pescadores de diversos países, com estimulante troca de experiências e uma agenda agitada de shows e jantares. Uma experiência única, que muitos gostariam de repetir.

O 8th Annual IGFA Offshore Championship Tournament contou com o apoio da Secretaria de Turismo de Baja California Sur, Costa del Mar, Hotel Finisterra, Momoi, Guy Harvey Inc., Mold Craft Products, Picante Sport Fishing and Yacht Sales, Cabo Yachts, Outdoor Channel, KD & G Sea Life Masterpieces, Shimano, Hook & Tackle, Murray Products, AFTCO Bluewater, Bodo Muche, IWS Scales, King Sailfish Mounts, Stidd Systems, Corona and Modelo S.A. de C.V. Mexico, Trans Cabo Group, API Dock, Daiichi, Minerva´s Baja Tackle, Pisces Fleet Sportfishing e Ultrajewels.

Foto: Mario Merçon
Vista do Hotel Finisterra

Agradecimentos a Pete Johnson (PR counsel for the IGFA) pelo envio de fotos de Danny Mathews/IGFA e material de divulgação, diretor de pesca do ICRJ Fernando Garcia pelo envio de informações e Mario Merçon pelas fotos.

Apoio: Instituto de Pesca, Iate Clube do Rio de Janeiro, Costa Azul Iate Clube; Iate Clube de Santos; Iate Clube da Barra do Una; Yacht Club de Ilhabela; NUPEC, Museu do Mar e ONG VIVAMAR.

Alberto de Ferreira Amorim é engenheiro agrônomo, doutor em Ciências Biológicas na área de zoologia, Pesquisador do Instituto de Pesca em Santos-SP e conselheiro da SBEEL.


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