ALBERTO AMORIM

Alberto Amorim 24/11/2006
A primeira marcação de marlim azul no Brasil

Por onde andam os marlins azuis? Peixes que podem chegar a mais de 636 kg, marca do recorde mundial do brasileiro Paulo Amorim, há anos intrigam os pescadores esportivos. Eles chegaram até a virar tema de romances, como o Velho e o Mar, de Hemingway. A história, baseada em fato real, conta a saga do pescador cubano Santiago que, enfeitiçado pelo peixe, se deixa arrastar por três dias em mar aberto.

José Carlos Pacheco/Divulgação
Marca eletrônica PSAT, tipo arquivo “archival”, e que se desprende sozinha “pop-up”
Não menos curiosos, cientistas norte-americanos encontraram meios de acompanhar, embora à distância, esses magníficos animais, com o desenvolvimento de marcas eletrônicas. A partir da década de 90 foi desenvolvido o modelo PSAT-Pop-up Satellite Archival Tag (que se desprende sozinho, com data programada), e transmite via satélite dados como localização, profundidade e temperatura da água.

A primeira PSAT colocada em um marlim azul no Brasil, em Canavieiras (BA), em fevereiro deste ano, teve problemas de funcionamento, não reportando os dados. A segunda tentativa, no dia 14 de março de 2006 frente a costa do Ceará nos bancos oceânicos da cadeia norte (2º 30’ S e 38º 52’ W) teve sucesso.

O marlim azul de aproximadamente três metros, marcado e liberado a bordo do espinheleiro Transmar III pelo engenheiro de pesca José Carlos Pacheco foi monitorado por 18 dias e sem nenhum motivo conhecido a marca se soltou. No entanto, a respectiva marca ainda enviou dados durante outros nove dias.

José Carlos Pacheco/Divulgação
Marlim azul marcado com PSAT-Pop-up Satellite Archival


O projeto é coordenado pelo engenheiro de pesca Fabio Hazin, doutor pela Universidade de Tóquio, Japão num programa de cooperação científica entre a Universidade de Miami, na Flórida, com a Secretaria Especial de Aqüicultura e Pesca (Seap), Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE) e Instituto de Pesca de Santos. A marca é programada para se desprender do corpo do peixe no tempo desejado, transmite as informações para o satélite Argos, que envia para a Universidade de Miami. As informações de comportamento do peixe marcado mostraram uma tendência maior de permanência até 50 metros de profundidade. Apenas 5% do tempo total o peixe desceu a 200 metros, e apenas uma vez a cerca de 450 metros.

José Carlos Pacheco/Divulgação
Marlim azul marcado com PSAT-Pop-up Satellite Archival


José Carlos Pacheco/Divulgação
Distribuição de freqüência de comportamento por intervalos de profundidades


Com o apoio de pescadores esportivos do Iate Clube de Santos, sob a coordenação do Diretor de Pesca David Alhadeff, em 18 de novembro quatro lanchas saíram da sede de Ilhabela para realizar marcação eletrônica de peixes de bico. Assim, mais uma marca foi colocada, desta vez num marlim branco, pela lancha Attack de Arthur Santos Netto, com a orientação do professor Alberto Amorim do Instituto de Pesca de Santos (veja matéria em breve neste site).

Arquivo Pessoal
As fotos foram gentilmente cedidas por José Carlos Pacheco
Saiba mais sobre o engenheiro de pesca José Carlos Pacheco
Jose Carlos Pacheco é engenheiro de pesca pela Universidade Federal Rural de Pernambuco-UFRPE, realizando sua conclusão de curso no Oceanário de Lisboa. Aluno de mestrado de Recursos Pesqueiros, do Departamento de Pesca, da UFRPE, participou do projeto de Observadores de Bordo, e é o coordenador do Laboratório de Tecnologia Pesqueira-LATEP da UFRPE.

Alberto de Ferreira Amorim é engenheiro agrônomo, doutor em Ciências Biológicas na área de zoologia, Pesquisador do Instituto de Pesca em Santos-SP e conselheiro da SBEEL.


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