| |
01/03/2006
Arte da pesca é tema de curso
Alunos de mestrados conhecem a diversidade de peixes do litoral sul e sudeste e os diferentes tipos de pesca
Fotos: Isabela Carrari
Durante oito dias (14 a 23 de fevereiro), os alunos do curso de mestrado “Recursos Pesqueiros: Peixes” do Instituto de Pesca, ministrado no Núcleo de Pesquisa e Estudo em Chondrichthyes (Nupec), puderam vivenciar a rotina dos pescadores e aprender mais sobre as diferentes espécies de pescado que habitam o litoral sul e sudeste.
Foram 60 horas de aulas teóricas e práticas, entre discussões sobre a exploração e conservação dos recursos pesqueiros e saídas monitoradas.
Os alunos identificaram nos peixes do laboratório do Nupec os órgãos sensoriais e os sistemas respiratório, reprodutor, circulatório, digestor e excretor.
Para ampliar ainda mais os conhecimentos, os estudantes saíram em um barco de arrasto duplo de fundo, na Praia do Perequê, em Guarujá, São Paulo. Durante a visita foram coletados diversos peixes costeiros de fundo.
 Alunos retiram os peixes da rede de arrasto de fundo |  Os alunos fazem a triagem dos peixes, na praia de Perequê |
No último dia, os alunos fizeram uma visita monitorada ao terminal de pesca da Ita Fish, empresa localizada no Guarujá. A primeira lição foi saber os horários de desembarque dos peixes. Com essa informação, os alunos acordaram cedo e acompanharam o processo realizado pela Ita Fish de retirada do pescado. Às 7h30, o terminal já estava alvoroçado lutando contra o tempo para que os peixes não estragassem.
 No NUPEC, os alunos identificam a raia, Zapteryx brevirostris |  A veterinária da Ita Fish mede a temperatura interna da raia (2,3º C) |
O primeiro desembarque do dia era proveniente de dois barcos conhecidos como parelhas, isto é, que arrastam uma rede de fundo. Roncador, maria-luiza, peixe-porco, raia-viola, goete, pescada, peixe-espada, foram alguns dos peixes trazidos pelos barcos. A cada nova cesta que era desembarcada, um peixe era mostrado aos alunos acompanhado de perguntas para testar seus conhecimentos.
Dois funcionários descarregavam as cestas em um tanque com água tratada. Neste tanque, outras duas pessoas tiravam o gelo com um puçá para que o peixe limpo fosse dirigido para a esteira.
 Verificação das pescadas branca e cambucu |  Os alunos acompanham a lavagem dos peixes |
Na esteira, o peixe foi levado à outra sala para uma triagem. Cerca de cinco mulheres com touca, luva, jaleco e bota separavam os peixes por espécies em tabuleiros para comercialização, um verdadeiro corre-corre de funcionários.
Enquanto isso, o barco atuneiro Falcon I esperava sua vez para mostrar os frutos de sua pesca de espinhel. Nesta pesca os peixes são maiores: diferentes cações, meca, peixe-prego, dourado entre outros. Os estudantes subiram no barco e conheceram a dinâmica da pesca.
Viram o equipamento, como ele é guardado e até presenciaram o cozinheiro em ação. Já eram 11 horas quando eles conversaram com o capitão do barco, em uma cabine localizada no primeiro andar.
 Os anzóis do espinhel são guardados em caixa especial |  Os peixes se mantém no porão a zero graus com gelo picado |
No mesmo piso, havia uma sacada onde acompanharam o começo do desembarque dos peixes, que já estavam eviscerados, e após serem lavados ficaram prontos para a comercialização.
Depois de um dia duro, os alunos foram dispensados para o almoço e também para terminarem a última etapa do curso: apresentação de seminário.
 As barbatanas de tubarão são as mais caras e as primeiras a serem desembarcadas |  Os alunos passam bem durante toda a viagem ao mar |
Uma nova turma começa no próximo ano. Para participar, é preciso matricular-se na pós-graduação pelo site do Instituto de Pesca.
APOIO: Instituto Pesca; Iate Clube do Rio de Janeiro; Costa Azul Iate Clube; Iate Clube de Santos; Yacht Club de Ilhabela; Iate Clube da Barra do Una, NUPEC; SBEEL; VIVAMAR e Museu do Mar.
Alberto de Ferreira Amorim é engenheiro agrônomo, doutor em Ciências Biológicas na área de zoologia, Pesquisador do Instituto de Pesca em Santos-SP e conselheiro da SBEEL.
|