ALBERTO AMORIM

Alberto Amorim 31/01/2006
Viralata vence a primeira etapa de pesca em Cabo Frio

No dia 28 de janeiro, 28 lanchas saíram da subsede do Iate Clube do Rio de Janeiro (ICRJ), em Cabo Frio, às 6 h da manhã para a pesca do marlim azul. Conhecido como um dos maiores peixes de oceano, pode chegar a 636 kg, peso do recorde mundial do brasileiro Paulo Amorim, conquistado no Espírito Santo.

Foto: Christina Amorim
Subsede do Iate Clube do Rio de Janeiro
A cidade de Cabo Frio é um grande atrativo para a pesca oceânica, por ser reconhecida internacionalmente pela ocorrência de grandes peixes. Entre eles um de 423 kg da lancha Andesa, 546,8 kg da Laurocriwa e o de 575 da Komplot, pescados durante os torneios do ICRJ.

No XIII Marlin Invitational as regras favorecem a liberação (catch & release), dando 250 pontos a cada peixe devolvido ao mar. Se o peixe for embarcado e não alcançar 250 kg, perde pontos. Com o peso acima do estipulado, ganha um ponto por quilo, mais bônus, dependendo da linha usada. As embarcações levam a bordo biólogos e estudantes de biologia, como observadores, para comprovar a liberação do marlim.

Foto: Christina Amorim
Chegada das lanchas
Para chegar ao mar azul, local onde estão os peixes de oceano, é necessário navegar mais de 50 milhas da costa, viagem que pode levar mais de duas horas, dependendo da velocidade da lancha e das condições de mar. As linhas foram recolhidas às 16h, quando as lanchas fizeram o balanço final do torneio, reportando três peixes liberados e dois embarcados.

Um marlim azul de 420,5 kg (927 libras) e 3,30 m garantiu o primeiro lugar para a lancha Viralata, do comandante Mario Merçon. O peixe foi capturado na linha 130 libras, na isca artificial, por João Victor Dias, o Baiaca, às 11h40 e levou cerca de uma hora para ser embarcado. A temperatura da água estava bastante favorável a 26 graus centígrados. Faziam parte da equipe Li Merçon e Flavio Reis. O comandante Merçon conta que teve uma intuição para encontrar o peixe, indo pescar no mesmo local em que capturou um marlim de 317 kg há dois anos atrás.

Em segundo lugar veio o pescador Fernando Fabrini, da lancha Perversa, que fisgou um marlim azul de 283 kg (624 libras) e 3,10 m usando linha 130 libras e isca artificial. A equipe, que pesca há mais de 20 anos, conta ainda com o comandante Caetano Fabrini e o pescador Caio Alfaya. Segundo Fernando, a Perversa, que foi a campeã do torneio do ano passado, gosta da pesca de marlins em Cabo Frio, devido à quantidade e o tamanho dos peixes encontrados no local.

Foto: Christina AmorimFoto: Christina Amorim
Equipe da Viralata com marlim azul de 420,5 kgEquipe da Perversa com marlim azul de 283 kg

Em terceiro lugar ficou a Dito e Feito, do comandante Carlos Alberto Ribeiro, liberando um marlim azul às 10h na linha 50 libras. Na quarta posição veio a embarcação Paola, do comandante Paulo Ramalho, liberando um marlim na linha 130 libras, às 12h27. Em quinto ficou a Halley, de Ney Gaia Jr. liberando um peixe às 13h41, também na linha 130 libras.

O torneio conta com mais duas etapas, nos dias 2 e 4 de fevereiro. O vencedor irá representar o Brasil no torneio IGFA Rolex, no Cabo de São Lucas, México, junto com os integrantes da lancha Picante, de Luiz Carlos Bulhões, vencedor do torneio do ICRJ na cidade do Rio.

Foto: Christina Amorim
Eduardo Pimenta e equipe examinam um marlim azul
O trabalho de acompanhamento da biologia pesqueira do Projeto Marlim é coordenado em Cabo Frio pelo biólogo Eduardo Pimenta, da Prefeitura de Cabo Frio, com o auxílio da bióloga Alice Berbert. A pesquisa consiste em estimar o tamanho dos peixes e coletar o conteúdo do estômago para conhecer sua alimentação. A observação das gônadas (órgãos reprodutores), definem se o peixe é macho ou fêmea, e auxilia o conhecimento da época de reprodução e seu desenvolvimento.

O Projeto Marlim teve início na temporada de pesca oceânica de 1992/93 do Yacht Club de Ilhabela, em São Paulo, sob a coordenação do professor Alberto Amorim do Instituto de Pesca de Santos.

APOIO: Instituto Pesca; Prefeitura Municipal de Cabo Frio; Iate Clube do Rio de Janeiro; Costa Azul Iate Clube; Iate Clube de Santos; Yacht Club de Ilhabela; Iate Clube da Barra do Una, NUPEC; SBEEL; VIVAMAR e Museu do Mar.

Alberto de Ferreira Amorim é engenheiro agrônomo, doutor em Ciências Biológicas na área de zoologia, Pesquisador do Instituto de Pesca em Santos-SP e conselheiro da SBEEL.


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